Tataré

Chloroleucon tortum

Raquel Patro

Atualizado em

O tataré (Chloroleucon tortum) é uma árvore caducifólia, de ciclo de vida perene, ornamental, com um tronco característico, tortuoso e com tons marmorizados. Ele é nativo da Mata Atlântica no Rio de Janeiro, e é encontrado na região costeira, entre a floresta e a restinga. Atualmente é considerada em “perigo crítico de extinção” pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais.

Detalhe das inflorescências. Foto de Pedro Ivo

Ele pode alcançar até 12 metros de altura, mas geralmente não passa de 7 metros. Apresenta copa baixa, larga, aberta, arredondada e com tronco tortuoso, o qual atinge até 50 cm de diâmetro. Os galhos possuem muitas ramificações e podem ou não ser espinhentos. A casca do tronco é acinzentada, lisa, descamante, de modo que se destaca revelando a superfície branca escondida. O aspecto final é um belo marmorizado, que lembra também outra árvore da mesma família, o pau-ferro (Caesalpinia leiostachya).

As folhas do tataré são verdes, ovaladas, coriáceas, compostas bipinadas, com 3 a 4 pares de pinas e até 8 pares de folíolos oblongos. As inflorescências surgem na primavera-verão, são do tipo glomérulo e agrupam delicadas flores brancas a amarelas. Elas assumem formato globoso, lembrando um pompom, com muitos estames e forte aroma. Elas atraem muitas abelhas que se alimentam de néctar e pólen abundante. Com relação ao fruto a maturação ocorre entre o final do inverno e início da primavera. Conhecido como “orelha de macaco”, ele é do tipo legume, achatado e retorcido em uma helicoidal ou espiral. Apresenta cor marrom-avermelhada quando maduro e abriga sementes ovais, achatadas, de cor amarelo-pálido, numerosas, mas com baixa capacidade de germinação.

Detalhe do fruto. Foto de Barry Stock

O tataré se popularizou como árvore ornamental através dos projetos de Roberto Burle Marx, que a utilizou no Aterro do Flamengo. Ele é uma árvore ideal para ser aplicada na arborização de ruas, parques, praças e na cidade em geral. Assim, pode-se utilizar para a reconstrução paisagística de áreas degradadas, já que não é exigente quanto ao solo. O caule tortuoso e marmorizado tem um grande apelo escultórico, trazendo diferenciação a projetos residenciais ou institucionais. Utilizar o tataré nos jardins como na arborização urbana oferece tanto o benefício estético, quanto o ecológico, uma vez que é uma espécie ameaçada e que atrai polinizadores. É o tipo de árvore que você adorará se sentar sob sua copa e ler um bom livro, fazer um piquenique ou somente contemplar seu jardim. Também pode ser cultivada em vasos para ornamentar varandas, pátios e terraços. Outro uso interessante é treiná-la como bonsai, uma vez que o tronco tortuoso, as folhas pequenas e a copa horizontal são características bastante desejadas nessa arte. O tataré possui ainda madeira muito resistente e bonita, e por esse motivo é utilizada na marcenaria e artesanato.

Foto de Raquel Patro

Deve ser cultivado sob sol pleno e aprecia solos arenosos, drenáveis e ricos em matéria orgânica. Apesar de que seu aspecto lembra as resistentes árvores do cerrado, o tataré prefere locais com maior índice pluviométrico. Quando envasada regue regularmente, de forma que o substrato não seque completamente entre uma rega e outra, mas jamais permita que fique encharcado. Após estabelecida no jardim, tolera curtos períodos de estiagem e as regas devem ser complementares. Já a adubação deve ocorrer durante a estação de crescimento, logo que as folhas novas começarem a surgir. Utilize fertilizantes em formulações NPK próprias para árvores, respeitando as recomendações do fabricante, e adicione matéria orgânica ao solo. Recomenda-se, antes de aplicar o fertilizante, regar bem o solo, tanto para facilitar a absorção quanto para evitar a queimadura nas raízes. Propaga-se por sementes, postas a germinar logo após a colheita durante a primavera e verão. Utilize para tal, substrato arenoso e leve e mantenha úmido em local sombreado. A germinação ocorre em até 30 dias e é baixa (20%).