Taboa

Typha domingensis

Raquel Patro

Atualizado em

Aquênios com suas painas sedosas. Foto por
Friends Chiltern Mt Pilot NP

A taboa é uma planta aquática, herbácea, rizomatosa e perene, que apresenta longa folhagem, com espigas características que lembram salsichas espetadas. Ela é nativa da América do Sul, sendo frequente como planta palustre e marginal em áreas alagadas, pantanosas, úmidas, restingas e mangues, onde toleram até 1,5 m de inundação. Por sua elevada capacidade de dispersão, é considerada por vezes uma espécie invasora.

Apresenta rizomas amiláceos, cilíndricos, que ficam submersos e enraizados nas margens dos cursos d’água. Suas folhas são assimétricas, alongadas, eretas, membranáceas, laminares e de cor verde, podendo atingir até 3 metros de altura. As inflorescências são do tipo espiga, monotípicas (femininas ou masculinas),  surgem entre o verão e outono e são de cor castanho claro a um laranja acinzentado, com uma ou mais brácteas foliáceas caducas. Já os frutos, que também surgem no inverno, são aquênios fusiformes e monospérmicos, de cor marrom e com presença de plumas, sendo amplamente dispersos pelo vento.

Foto de Hans Hillewaert

Uma espécie com funções que vão muito além da beleza estética. A taboa é muitas vezes responsável por trazer de novo à vida ambientes pantanosos como wetlands, lagos, barragens e rios. Grandes grupos da planta tem um importante papel na despoluição do ambiente aquático, absorvendo metais pesados e reduzindo a contaminação bacteriana, ao mesmo tempo em que oferece alimento e abrigo a uma infinidade de animais, de insetos a aves, anfíbios, roedores, répteis e peixes.

Suas grandes folhas acompanham suavemente a direção do vento, trazendo movimento ao paisagismo. Dessa forma é ideal para compor jardins aquáticos únicos e na recomposição de ambientes degradados. Com a percepção da importância de ambientes alagados num contexto de sustentabilidade, a taboa torna-se uma ferramenta útil nas mãos do paisagista que pode utilizar a espécie tanto em cursos d’água usuais nos projetos, como laguinhos, espelhos d’água e fontes, como em jardins de chuva, várzeas e banhados (wetlands), antes considerados espaços de pouca relevância e muitas vezes até aterrados.

Foto de Stan Shebs

Além de toda sua função estética e ecológica, a taboa ainda é de muitas utilidades. Tanto o rizoma, como brotos e a espiga (tanto na fase de floração, como na frutificação) são comestíveis e de elevado valor nutricional para alimentação humana e animal. Além disso, produz uma quantidade considerável de biomassa, sua fibra é durável e resistente, e utilizada como matéria-prima para papel, pastas, cestas, bolsas, isolante térmico, estofamento, móveis e itens de artesanato por comunidades ribeirinhas. Como se não bastasse tem propriedade medicinais (veja quadro no final do artigo).

Deve ser cultivada sob sol pleno e aprecia solos alagados, humosos e ricos em nutrientes. É uma planta rústica, de rápido crescimento e sem muitas exigências no cultivo. O taboa aprecia clima quente e úmido, mas se desenvolve bem em clima tropical a temperado. Não tolera longos períodos de estiagem. A inundação além de 1,5 metros por períodos prolongados também são prejudiciais ao seu desenvolvimento.

Recomenda-se, em caso de estiagem, realizar regas frequentes para manter o solo úmido. Em lagos com peixes, a fertilização não é necessária. É preciso atentar para alelopatia presente na espécie, que impede o desenvolvimento de outras espécies que ocupem o mesmo estrato aquático. Assim, a taboa tem uma grande tendência a dominar as margens dos lagos ou a área pantanosa. Multiplica-se por divisão de touceiras, rizomas ou por sementes, em qualquer época do ano.