Peperômia-neve

Peperomia nivalis

Raquel Patro

Atualizado em

Peperomia nivalis leaves

A Peperômia-neve (Peperomia nivalis) é uma planta suculenta, perene, encontrada na região andina, principalmente em locais como Cajamarca, La Libertad, Ancash, Lima, Arequipa e Cuzco no Peru, geralmente entre altitudes de 2000 a 3000 metros acima do nível do mar. Seu habitat se caracteriza por áreas bastante secas, onde crescem bem próximo às raízes das árvores e arbustos, em solos rochosos e recebem a luz filtrada que passa pela copas. Nessas regiões o clima é temperado e seco, com temperaturas amenas ao longo do dia e noites frias, céu boa parte do ano encoberto e alta umidade do ar, mas com baixo índice pluviométrico.

O nome do gênero Peperomia vem do grego “peperi“, que significa pimenta, e “homoios“, que significa semelhante. Uma referência ao fato desse gênero ter flores semelhantes às das pimentas, do gênero Piper, que são relativas e pertencem à mesma família Piperaceae. O epiteto específico nivalis, por outro lado, é uma palavra latina que significa “como a neve”, o que pode ser uma referência à coloração muitas vezes um tanto pálida de algumas partes da planta.

De porte herbáceo e rasteiro, a Peperomia nivalis raramente excede 25 cm de altura e forma aglomerados que podem chegar a 40-65 cm de diâmetro. Seu caule é ereto a prostrado, terete (cilíndrico) e de cor marrom acinzentado, com ramificações alternas. As folhas são alternas, suculentas e de cor verde brilhante, com um curioso formato lanceolado a dolabriforme (como uma machadinha). Elas têm ápice agudo e base cuneada, sendo sulcadas na parte superior, com uma forma em “V” ou “U” transparente que reflete o verde escuro do interior da folha, enquanto os lados laterais são de cor verde claro a glauco. Essa janela que se forma na parte superior das folhas é uma adaptação para reduzir a evapotranspiração, sem prejudicar a fotossíntese. O formato curioso das folhas rende nomes populares como suculenta barquinho, concha ou empanadas e quesadilhas (em espanhol). Sob condições de estresse, como em períodos mais secos e com exposição solar maior, as plantas desenvolvem cores bronzeadas e avermelhadas, bastante interessantes. Quando amassada ou cortada, a seiva libera um aroma semelhante a anis.

Peperomia nivalis lepadiphylla
Peperomia nivalis lepadiphylla Foto de Gemena

A inflorescência é uma panícula terminal com 5 a 8 espigas eretas, cada uma com uma bráctea basal lanceolada com dois estames e anteras brancas ou amarelas. Os frutos são também globulares, diminutos, de cor verde escuro a marrom escuro, com superfície papilosa. Ela geralmente floresce na primavera e verão, e os frutos amadurecem entre o verão e o outono.

Além da espécie tipo, existem ainda quatro variedades conhecidas:

  • Peperomia nivalis f. diminuta, com tamanho bastante reduzido, mas inflorescências de tamanho desproporcionalmente grandes.
  • Peperomia nivalis var. compacta, de folhas mais arredondadas, e crescimento compacto e ramificado desde a base. Elas são encontradas em áreas mais expostas.
  • Peperomia nivalis var. lepadiphylla, uma planta de crescimento prostrado e pendente, e folhas mais curtas e arredondadas, como a colar de tartarugas (Peperomia prostrata), ou colar de golfinhos (Senecio peregrinus).
  • Peperomia nivalis var. sanmarcensis, com caules mais longos e folhas mais finas e avermelhadas, parecendo mais dobradas.

A Peperomia nivalis é uma planta encantadora, ideal para colecionadores e entusiastas de plantas de interior. Ela é perfeita para terrários, jardins de sombra, mini jardins e jardins de inverno. Seu pequeno tamanho e folhagem densa a tornam ideal para compor detalhes em arranjos de plantas de baixa manutenção. Ela também é popular em arranjos de mesa e como complemento em composição de suculentas em vasos mistos. No entanto há sempre que se pensar em utilizar a Peperomia nivalis em composição com outras suculentas com exigências semelhantes de cultivo, principalmente quanto à necessidade de luz e água.

Embora seja uma planta principalmente ornamental, a Peperomia nivalis é utilizada na medicina popular no Peru. As folhas assadas no fogo são comprimidas para extrair gotas usadas tanto no tratamento de otite quanto da conjuntivite. A planta inteira, quando moída, é usada como um emplastro tópico para aliviar dores abdominais.

A Peperomia nivalis, com suas folhas suculentas e flores delicadas, é uma adição encantadora para qualquer coleção de plantas. Apesar do crescimento relativamente lento, e exigências de cultivo, sua manutenção é relativamente fácil. Sua beleza singular e folhagem curiosa fazem dela uma escolha excelente para a decoração de interiores ou o jardim. Ao entender seu habitat e necessidades específicas de cultivo, você pode desfrutar da beleza desta planta única por muitos anos.

Cultive-a sob meia sombra ou luz filtrada, como sob a copa de uma árvore ou próximo a uma janela de posição leste. Ela gosta da incidência direta do sol no começo na manhã e no final da tarde, mas vai se ressentir com o excesso de luz e calor das horas mais quentes do dia. Ao notar o espaçamento dos entrenós, posicione a planta em local mais iluminado, pois ela provavelmente estará estiolando. Folhas excessivamente atarracadas e avermelhadas, baixo crescimento, e até mesmo queimaduras, indicam que a planta está recebendo excesso de luz e calor.

Apesar de ser uma suculenta, a Peperomia nivalis teme o calor excessivo, que interrompe o seu crescimento. A temperatura ideal para o desenvolvimento desta espécie situa-se entre 15 e 20ºC. Da mesma forma, ela gosta de umidade, no entanto detesta encharcamento. É um delicado limiar entre um substrato levemente úmido, sem secar ou encharcar. Para conseguir esse ambiente, o ideal é utilizar uma mistura própria para cactos, enriquecida com matéria orgânica de baixa decomposição (como casca de arroz ou de pinus), perlita ou vermiculita. O objetivo deve ser um substrato leve, úmido e arejado. Por essas mesmas razões, é recomendado replantar a Peperomia nivalis anualmente, de modo a evitar a compactação do substrato e consequentemente o excesso de umidade. Regue moderadamente, permitindo que o solo seque parcialmente entre as regas. Evite o encharcamento, pois pode levar à podridão das raízes. A umidade relativa do ar ideal para o seu desenvolvimento situa-se entre 40 a 60%. Fertilize com moderação utilizando adubos próprios para cactos e suculentas. O excesso de adubação, principalmente nitrogenada, deixa a planta suscetível à infestações por pragas e infecções por doenças.

Para fazer mudas da Peperomia nivalis, o ideal é a estaquia de caule com folhas. Corte segmentos do caule e deixe cicatrizar à sombra por 24 horas para a formação do calor e prevenir infecções. Depois coloque as estacas em substrato próprio para germinação, mantido levemente úmido. As raízes geralmente surgem após algumas semanas. Transplante para o local definitivo assim que perceber o crescimento da planta. A Peperomia nivalis aprecia vasos apertados, assim, é um erro plantá-las em vasos grandes na esperança de que cresçam bastante. Faz mais sentido replantá-la sempre em um vaso ligeiramente maior que o anterior ou até mesmo igual, mantendo a proporcionalidade da planta em relação ao vaso.

Peperomia nivalis compacta
Peperomia nivalis compacta Rob Westerduijn
Peperomia nivalis flowering
Peperomia nivalis florescendo. Foto de Oleksandr Shynder
Peperomia nivalis stressed
Quando estressada, a Peperomia nivalis adquire tonalidades avermelhadas. Foto de danplant
Peperomia nivalis
Peperomia nivalis na coleção do Jardim Botânico de Munique. Foto de Domínio Público.