Cerejeira-anã

Eugenia mattosii

Raquel Patro

Atualizado em

Cerejeira-anã - Eugenia mattosii
Foto de Denis Sabin

A cerejeira-anã é um arbusto perenifólio, lenhoso, frutífero e ornamental, nativo da Mata Atlântica nos estados de Santa Catarina e Paraná. Apresenta uma copa densa e arredondada, sendo muito ramificada, desde a base. O tronco é de cor marrom-escuro e é fissurado na vertical. As folhas são simples, pequenas, oblongas, elípticas a espatuladas, opostas, coriáceas, brilhantes, de cor vermelha quando jovens e verde quando maduras, o que causa um efeito acobreado no arbusto em sua fase de crescimento. As inflorescências surgem na primavera e são axilares, do tipo cimeira, reunindo grupos de 2 a 8 flores cada. As flores são hermafroditas, de cor branca, com longos e numerosos estames e levemente perfumadas. Produzem abundante néctar e pólen, e são muito atrativas para abelhas nativas e outros polinizadores.

Cerejeira-anã - Eugenia mattosii
Foto de Daniele Regina Muller

Os frutos se formam no verão, são do tipo baga, pequenos, esféricos, vermelhos, com cálice persistente, polpa carnosa e de sabor adocicado, contendo uma ou duas sementes por fruto. Seu aroma e sabor lembram o da pitanga (Eugenia uniflora) e da cereja-do-rio-grande (Eugenia involucrata). Pode ser consumido in natura ou como sucos refrescantes, geleias e sorvetes. Além disso, o fruto da cerejeira-anã atrai muitas espécies de aves. No geral, tanto as flores quanto os frutos surgem de forma mais intensa quando a planta é cultivada no Sul do país, isto é, em regiões com estações mais marcadas.

No jardim, a cerejeira-anã é um verdadeiro curinga, substituindo com excelência arbustos exóticos como o Buxinho (Buxus sempervirens) e o Ligustrinho (Ligustrum sinense), além do diferencial de produzir frutos comestíveis. Ela pode ser utilizada isolada, em grupos, renques ou em conjunto com outras plantas, especialmente aquelas que contrastem com sua textura fina e tons de verde acobreados. Tolera muito bem a poda e tem uma folhagem densa e resistente, sendo indicada para topiarias, bordaduras e cercas-vivas formais e informais. Assim podemos, por exemplo, demarcar a entrada do jardim ou mesmo contornar um muro.

Ademais, é uma espécie ameaçada de extinção e com um importante papel ecológico, de atrair polinizadores e alimentar a avifauna, tornando seu uso ainda mais importante no paisagismo brasileiro. É rara em cultivo, trazendo originalidade aos projetos. Também pode ser plantada em vasos ou jardineiras e assim, utilizada para adornar pátios e varandas ensolaradas. Suas folhas pequenas e o caule fissurado e lenhoso, a tornam uma espécie de eleição para a arte do bonsai. É uma espécie de fácil cultivo, crescimento lento e manutenção simples, que envolve podas de limpeza, formação e adubação.

Deve ser cultivada sob sol pleno, em solos férteis, drenáveis e ricos em matéria orgânica. No jardim, depois de bem estabelecida, o ideal é que as regas sejam suplementares. É resistente a geadas (-3ºC) e a curtos períodos de estiagem. No entanto, é capaz de se adaptar a diferentes condições climáticas, podendo ser cultivado desde o nível do mar até grandes altitudes (1000 m), de norte a sul do Brasil. O ideal é fertilizá-la no início da primavera e durante o verão, com adubos orgânicos, como farinha de ossos e esterco de aves bem curtido, ou adubos minerais, como fórmulas NPK próprias para frutíferas, seguindo sempre as recomendações do fabricante.

Lembre-se de regar a planta antes da fertilização, a fim de evitar queimaduras nas raízes. A cerejeira-anã pode ser multiplicada facilmente por sementes ou estaquia dos ramos jovens. Para o plantio, realize a semeadura logo após a colheita dos frutos, uma vez que suas sementes são recalcitrantes e perdem o poder germinativo rapidamente. A germinação é desuniforme e ocorre entre 40 e 90 dias. Faça o beliscamento dos ponteiros das mudas jovens estimulando seu adensamento. As cerejeiras-anãs iniciam a frutificação cerca de 2 ou 3 anos após o plantio.

Pitanga-anã - Eugenia mattosii
Foto de Fabrício Mil Homens Hiella