Cipó-tapiá

Cratylia spectabilis

Bruna Camargo Correa

Atualizado em

Cratylia spectabilis, Camptosema grandiflorum, Cipó tapiá

O cipó-tapiá, recentemente reclassificado de Camptosema grandiflorum para Cratylia spectabilis, é uma trepadeira perene, com inflorescências pendentes, de cor vermelha e muito decorativas. Ela é nativa de uma ampla região, que inclui desde o leste do Brasil, abrangendo áreas que vão da Bahia até São Paulo. Esta planta cresce principalmente em florestas estacionais semideciduais e florestas ciliares, que fazem parte das regiões da Caatinga e do Cerrado, mas também é avistada em florestas da Mata Atlântica.

Essa planta pode atingir até 6 metros de altura, sendo uma trepadeira volúvel, com ramos longos, flexíveis, providos de gavinhas que permitem que ela se enrole e se fixe, subindo em diferentes tipos de estrutura. Seu crescimento é vigoroso e ela é bem ramificada, com folhagem abundante. Seus pecíolos medem entre 3,5 e 5,5 cm, e as folhas são pinadas-trifoliadas, com textura papiráceas a cartáceas, e folíolos com um formato que vai de oval a elíptico. Os folíolos jovens são verde claros, enquanto que os maduros, verdes escuros. A face superior das folhas é geralmente lisa, enquanto a inferior pode ser de levemente peluda a vilosa.

Floresce no outono inverno, despontando inflorescências axilares, longas e pendentes, do tipo pseudorácemo e com até 50 cm de comprimento. As flores são papilionáceas, vermelhas ou vermelho-alaranjadas, e o fruto possui de 13 a 16 cm de comprimento, com sementes oblongas a ovais. As flores do cipó-tapiá atraem beija-flores e borboletas, mas também podem ser visitadas por uma variedade de insetos polinizadores. Essas interações são cruciais para a saúde dos ecossistemas naturais e urbanos, contribuindo para a preservação da biodiversidade. Ocorre ainda uma variedade de flores amarelas, rara em cultivo.

Cratylia spectabilis, Camptosema grandiflorum
Foto de Mauro Halpern

Essa trepadeira, encontrada facilmente em estradas rurais brasileiras, costuma se utilizar da copa das árvores para se sustentar. Ela pode ser plantada em jardins, desde que lhe seja fornecido suporte adequado para seu desenvolvimento, tais como pérgolas, caramanchões, cercas ou muros. Em estruturas desse tipo sua inflorescência pendente é valorizada, pois podem ser apreciadas por baixo. Além disso, o contraste do verde com o vermelho das flores traz interesse ao jardim, assim como o movimento que acontece em função do vento.

Dessa forma, No paisagismo, o cipó-tapiá é ideal para criar cortinas verdes, cobrir pergolados ou arcos, oferecendo não apenas beleza visual, mas também uma sensação de aconchego e privacidade em espaços ao ar livre. De quebra atrai muitas borboletas e beija-flores. O cipó-tapiá não exige muita manutenção, a poda por exemplo, não é necessária, mas pode ser feita após a florada para estimular o desenvolvimento de novas inflorescências, bem como para moldar o formato da planta e controlar seu crescimento.

O cipó-tapiá deve ser cultivado sob sol pleno ou meia-sombra, em solo fértil, preferencialmente areno-argiloso e rico em matéria orgânica. Aprecia solo úmido, mas não encharcado, de forma que o ideal é regar de 2 a 3 vezes por semana durante o primeiro ano de implantação, de forma complementar até a perfeita adaptação da planta e enraizamento no local. Após atingir o tamanho adulto, torna-se resistente a curtos períodos de estiagem.

Cratylia spectabilis, Camptosema grandiflorum, Cipó tapiá
Foto de Mauro Halpern

É bem resistente a geadas e tolera as baixas temperaturas de inverno, sendo dessa forma própria também para o sul do país e regiões serranas. É uma planta de fácil adaptação e pode ser multiplicada seja por meio de sementes, alporquia ou estaquia. Para a germinação das sementes, recomenda-se a semeadura no verão, em vermiculita ou areia mantida úmida. Ao realizar propagações vegetativas como alporquia e estaquia, índices melhores de pegamento serão obtidos ao se utilizar hormônio enraizador (AIB).